Na manhã desta terça-feira (28), a faixa de areia da praia do Porto da Barra, uma das mais conhecidas de Salvador, amanheceu sem cadeiras, mesas e sombreiros. A ausência dos itens foi resultado de um protesto dos ambulantes que atuam no local contra as novas regras estabelecidas pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop). Na última quinta-feira (25), a pasta determinou que os kits só podem ser montados sob demanda, ou seja, conforme a solicitação dos clientes.
A medida foi tomada após reclamações de banhistas sobre a falta de espaço na areia. A polêmica ganhou força nas redes sociais quando um vídeo viral mostrou um homem alegando que a grande quantidade de cadeiras dispostas pelos ambulantes estaria “privatizando” a praia, já que o uso das mesmas é cobrado.
Em resposta, a Semop reforçou, após reunião com comerciantes, que os equipamentos devem ser disponibilizados somente quando houver clientes interessados. Apesar disso, a nova regra gerou insatisfação entre os trabalhadores. Um dos ambulantes relatou à TV Bahia que há 50 permissionários registrados na praia, cada um autorizado a usar até 30 cadeiras. “Eu colocava cerca de 80 cadeiras e mesmo assim não era suficiente, imagina agora com 30. Isso vai desempregar muitos pais de família”, afirmou o comerciante.
O clima também ficou tenso entre os próprios ambulantes. Segundo informações obtidas pelo g1, uma comerciante teria utilizado um megafone para ameaçar colegas que insistiam em vender produtos na faixa de areia, gerando discussões e até agressões físicas. Um banhista relatou que a mulher teria chamado outros barraqueiros, intensificando o conflito.
De acordo com o diretor da Semop, Alison Carvalho, as novas regras vêm reforçar um limite já previsto de 10 kits por ambulante, mas que não vinha sendo respeitado. Em nota, a secretaria justificou que as denúncias de moradores e turistas sobre a ocupação excessiva da areia motivaram o aumento da fiscalização e a adoção de medidas para ordenar o uso do espaço público.
Entre as regras agora em vigor estão a montagem de sombreiros apenas após as 9h, a disponibilização de cadeiras e mesas somente a pedido do cliente e a proibição do uso de garrafas de vidro na área. A Semop destacou que cinco equipes extras foram designadas para intensificar as fiscalizações e que os permissionários têm até 15 dias para regularizar seus cadastros. Após o Carnaval, haverá uma nova reunião para avaliar os impactos das mudanças e discutir possíveis ajustes.
A secretaria reafirmou o compromisso com o diálogo e enfatizou que as normas buscam garantir um equilíbrio entre comerciantes, frequentadores e a comunidade, promovendo um ambiente organizado e seguro na orla.